Vamos lá à sétima…

Quem me segue há algum tempo já terá percebido que tenho uma espécie de ‘pancada’ por números, datas ou factos curiosos. Sempre foi algo que me agradou, mesmo sendo um zero à esquerda na matemática. Por alguma razão segui letras e virei jornalista, não é…? Mas bem, disse-vos que ia falar de números e datas e cá vai…

No domingo, quando pelas 8:30 soar o tiro de partida para a Maratona de Sevilha, estarei a iniciar a minha sétima aventura nos míticos 42,195 metros. Será a minha sétima aventura nesta distância mítica no espaço de 490 dias. Sim, é verdade, a minha primeira maratona foi há apenas um ano e quatro meses e agora já vou para a sétima. É uma maratona a cada 70 dias, uma maratona a cada 10 semanas… Coisa pouca, certo?

77 dias passaram desde a última vez que corri essa distância em Valência. Na altura, quando a acabei, pensei que iria dar uma pequena folga ao meu corpo e encarar as maratonas seguintes de forma tranquila, sem ter de olhar o relógio enquanto corro. Era para ser assim, mas não será…

Saí de Valência bastante bem, muito melhor do que esperava tendo em conta que tinha feito outras duas maratonas no mês e meio anterior. Descansei dez dias e voltei a atacar uma preparação. Uma preparação feita um pouco em cima do joelho, já que para todos os efeitos apenas recomecei os treinos há precisamente dois meses.

Não sei se chegará para alcançar aquilo que desejo em Sevilha, pois para lá dessa preparação curta, o meu treino mais longo foram 25 quilómetros duas semanas antes da maratona. Nesse dia o plano era meter muito mais nas pernas e chegar aos 35k, mas uma gripe impediu-me de o conseguir. Talvez não precise desse treino longo, talvez ainda tenha em mim o conhecimento da longa distância pelas três maratonas que fiz nos últimos quatro meses. Talvez o corpo responda positivamente. Talvez sim, talvez não.

São muitas dúvidas, eu sei, mas tivesse ou não feito uma preparação tradicional, com 12 a 16 semanas, também as teria na hora de partir. Porque uma maratona, por mais vezes que as repita, terá sempre uma história diferente. Nunca saberemos como o nosso corpo vai reagir. Podemos ter feito a melhor preparação de sempre, podemos acordar com a sensação de que somos o Kipchoge e, no meio da prova, tudo se desmoronar. Ou pode acontecer exatamente o contrário. Há muitas variáveis em jogo, mas há algo que nunca podemos esquecer. Estamos ali naquela zona de partida para abraçar algo que acima de tudo deve ser uma diversão. Um motivo de alegria.

É esse o maior conselho que dou a quem abraça uma maratona, quer seja a primeira (como três dos grandes que estão na foto acima) ou a décima. Uma maratona é sempre uma viagem para recordar, uma viagem dourada. Não digo para esquecerem o nervos ou os vossos objetivos pessoais, porque sei que isso é praticamente impossível, mas relaxem e confiem naquilo que fizeram nas semanas de preparação. Porque o que mais custa não é o dia em que colocamos nas nossas pernas os por vezes assustadores 42,195 metros, mas sim as centenas de quilómetros que fazemos até esse dia.

E quando houver dúvidas, ali pelo quilómetro 30 ou 35, puxem pela memória e vão buscar ao pensamento aquele treino difícil que superaram na preparação; aquelas semanas duras em que andavam todos doridos dos treinos, mas que mesmo assim não vos impediam de treinar; aqueles treinos madrugadores arrancados a ferros enquanto todos dormiam; todas aquelas batalhas que travaram nos treinos de séries, nos treinos longos…

E lembrem-se, acima de tudo, daqueles treinos nesta família da corrida. Porque, acreditem, eles podem estar longe, a centenas de quilómetros, mas vão estar lá a torcer por vocês, como se estivessem na meta à vossa espera, como se aquela maratona, essa maratona, fosse deles. E quando acharem que não dá mais… corram por eles!

Vamos lá à sétima maratona?

PS: Como deve ter reparado, não escrevi em parte alguma qual o meu objetivo para a prova. Não o quero fazer. O que sair, sairá. Não quero colocar a pressão do tempo em mim mesmo. Tenho um objetivo de tempo, claro, mas vou guardá-lo para mim. Mas apenas o vou dizer depois da prova, quer consiga atingi-lo ou não…

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