307 quilómetros de muita coisa nova

  • 307 quilómetros
  • 26:53 horas
  • 25 treinos de corrida
  • 5 treinos de ginásio

Janeiro foi um mês daqueles. Intenso, puxado, exigente… Basicamente foi uma espécie de primeiro mês do resto da minha vida enquanto corredor amador. Até aqui vinha sendo treinado com ajuda de um amigo – que me ajudou imenso a progredir – mas a partir de meados de dezembro decidi que era hora de dar um passo em frente e passei a ser orientado pelo grande Ricardo Ribas.

O primeiro contacto surgiu depois da Maratona de Valência, onde a Dulce Félix conseguiu um grande retorno sob a sua orientação. Conversa puxa conversa e acabámos por começar a trabalhar juntos.

Confesso que inicialmente a ideia de trabalhar com um atleta desta dimensão – porque ele ainda é um atleta, um grande atleta – me agradou, porque sabia que me podia ensinar bastante e a ajudar-me a evoluir, mas também tinha algum receio das tareias que me podia colocar nas pernas. Acho que basicamente tive receio de sair da minha zona de conforto. E o primeiro grande impacto nessa saída da zona de conforto surgiu quando ataquei os primeiros longos.

“Então mas vou fazer os longos assim tão rápido?”, questionei-me.

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O parceiro do primeiro longo a sério deste novo método de treino

Estava habituado a fazer longos a um ritmo confortável, em torno dos 5’00, 5’10, 5’20, e quando olho para o plano vejo um treino de 18 quilómetros para ser feito nos 4’30, fazendo os últimos 4 a 4’20. Na altura fiquei a olhar de lado para aquelas indicações, talvez por achar que não o iria conseguir ou por ter a perceção errada da forma como devia treinar, mas confiei no que tinha no plano e fui. Fui e fiz o que era suposto. Afinal era bem capaz de fazer o que estava no plano.

Veio depois a semana seguinte e aqui, confesso, bati mal com o resultado do treino. E não pelas melhores razões. Foi na Corrida com os Campeões, na semana anterior à Meia Maratona Manuela Machado. A história de ambas as provas, e aquilo que sucedeu, já foi contada nos posts correspondentes. Numa não consegui cumprir o que me foi pedido, na outra surpreendi-me com um sub 1:30, que se calhar nem o treinador esperava.

É óbvio que este resultado não surgiu por obra e graça do Espírito Santo. Os treinos que fiz até então, na altura com um mês de trabalho em conjunto, tiveram o seu resultado. Os treinos de séries curtas e longas ou os progressivos foram determinantes para a obtenção deste registo, mas provavelmente tanto ou mais importantes foram também os treinos calmos, onde apenas tinha de meter minutos de corrida nas pernas. Aqueles treinos que tanta gente negligencia.

“Ah, não vou correr lento que isso fica mal no Strava”

Pode parecer ridículo, mas aposto que é isto que muita gente pensa quando sai para um treino de recuperação. E aí, em vez de rolarem a um ritmo ‘easy’ – como eles escrevem -, andam a rolar demasiado rápido para as suas pernas, que com tanto treino acabam por ceder. Aí aparecem as lesões e a desculpa é sempre a mesmaah não sei correr lento“. “Não sabes o tanas!“, apetece-me dizer-lhes.

Isto para dizer que os meus treinos de recuperação são efetivamente lentos. Lentos, confortáveis e ao ritmo das minhas pernas, da minha respiração. Respiração fácil e pernas soltas. Foi isso que o treinador me disse – “não te preocupes com ritmos nestes treinos” – e assim o fiz. Olho para o relógio, sim, mas para me certificar que não ando rápido de mais e também para perceber onde faço o retorno para voltar para o ponto inicial. Normalmente neste tipo de treinos ando ali à volta dos 5’20 – 5’30, mas se tiver de ir a 5’40 vou e sem problema algum.

Um teste importante

Voltando ao meu mês, uma semana depois de ter voado para um novo recorde em Viana, tive no último domingo um grande teste às minhas capacidades. Era dia de longo. Um longo de respeito, com 25 quilómetros. Mas o que me assustava não era a distância; eram os ritmos. À volta dos 4’30 durante 21 quilómetros e abaixo de 4’20 nos últimos 4k.

Fui, fiz os 25 quilómetros sozinho, com mochila de hidratação (a Salomon Agile 2, sobre a qual em breve publicarei um review), e mesmo não tendo cumprido o planeado a nível de ritmos, saí bastante feliz do resultado. Especialmente por neste treino ter feito a minha terceira meia maratona mais rápida (1:34:32), apenas um minuto mais lento do que o tempo que fiz no Porto, há quatro meses, e por ter feito isto tudo sozinho, sem ter ninguém a puxar por mim. Porque no dia da verdade vou estar sozinho comigo mesmo. O que importará serão as minhas pernas e a minha mente, isto mesmo correndo com mais uns quantos milhares de corredores.

E o dia da verdade, o primeiro deles, está a aproximar-se.

Venha Sevilha, que já só faltam 15 dias…

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Fiz aquele longo de 25k sozinho, mas no final estava lá esta gente toda…
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