Corrida com os Campeões: O cansaço paga-se… e de que maneira!

O início de 2019 foi tudo menos fácil. À data que vos escrevo estou finalmente de folga, depois de ter trabalhado em 14 dos 17 dias que já levámos de ano. Foi um início de ano intenso a nível laboral e isso, agora que penso, acabou por condicionar de certa forma a minha performance, tanto em treinos como em provas.

E condicionou bastante aquilo que queria fazer nesta Corrida com os Campeões, uma prova de 10 quilómetros na qual já tinha participado em 2018 e que sabia bem que não era pêra doce. Nada mesmo!

No ano passado fi-la em treino, num registo progressivo e acabei com um tempo de 49:39. Este ano lá voltei e, por indicação do treinador, a ideia era fazer um tempo ali em volta dos 41′, 42′. Assim à primeira vista, para quem em dezembro fez 40:10 em Viana e 42:04 na Amadora – esta última sem forçar -, seria algo perfeitamente ao meu alcance. Só que isto das corridas não obedece a fórmulas matemáticas, nem mesmo à lógica. Obedece sim à nossa rotina e às nossas sensações, que podem tornar um objetivo possível em algo muito complicado.

E muito difícil se tornava essa meta tendo em conta que nesse dia teria de meter nas pernas 12 quilómetros antes, conforme mandava o plano de treinos. Esses 12 quilómetros não foram nada exigentes, porque os fiz a um ritmo confortável, ali em torno dos 4’55 e os 5’00, mas sabia que iriam acabar por pesar. É que, fazendo as contas, juntando as duas partes do treino iria ter ali mais do que uma meia maratona feita. Assim, just like that…

Mas como sou de cumprir aquilo que me mandam (neste último ano acho que nunca falhei um treino…), lá fui eu com o chip voltado para seguir os parciais que o treinador me apontara. Achava-os algo ambiciosos, especialmente tendo em conta a dificuldade da prova, mas o facto de ir companhia do António Pedro Miranda, que já me acompanhara na Meia Maratona de Lisboa, deixava-me um pouco mais otimista.

“Vamos lá a isto”

Cheguei à zona do Jamor a uns 15′ das 14h30, encontrei o Francisco Bugalhão e fomos ter com o António para a partir. Colocados na zona G de partida, sabíamos perfeitamente que iríamos ter um enorme mar de gente pela frente, ainda que inicialmente tivesse a ideia de que quem estava ali à frente era malta mais rápida do que nós. Não era o caso.

O arranque foi feito e rapidamente percebi que iria de ter de fazer umas quantas fintas para tentar não perder muito tempo neste primeiro quilómetro, que afinal de contas era a primeira chance para tentar ‘corrigir’ as perdas que iria ter na subida. Furei, furei, furei – o António até me chamou enguia! – e lá consegui superar parte da multidão. Finalizada a descida, olho para o relógio e tinha feito o primeiro quilómetro apenas em 4’09 – quando o treinador me tinha dito para o fazer a 3’45. Era possível, mas não neste emaranhado de gente. Pouco ou nada tinha ganho neste primeiro quilómetro e dali em diante era preciso meter a faca nos dentes e ir.

Tinha os parciais apontados no relógio e fui tentando controlar o que ia fazendo para perceber se batia algum certo com o plano. Nenhum bateu. Foram todos acima. Passei aos 5k em 20:55, logo ali antes da subida do Alto da Boa Viagem, a sacana da subida que eu pensava que este ano não iria ter de enfrentar… Mas se é para subir, subimos, e subimos ao ataque. Meti uma mudança abaixo e lá consegui fazer a subida a bom ritmo, passando uma quantidade interessante de corredores, que ali já começavam a sofrer (eu também sofria, não se preocupem).

Pequena descida – ideal para ganhar (poucos) segundos – e planinho rumo a Algés, antes do retorno que levaria à última grande dificuldade. A subida até ao Estádio Nacional. Tentei (garanto que tentei…) acelerar assim que enfrentei a parte mais plana antes da subida, mas o motor já não dava mais. Engatei nos 4’15 e lá fui. Não dava para mais. Chego ao 9.º quilómetro e já me preparava mentalmente para a subida, enquanto a descer vinham os que já tinham acabado (que inveja lhes tive!).

Era só um último esforço, mas aquela subida não dava para grandes ataques, porque por mais energia que houvesse no depósito… aquilo subia e bem! Chego lá acima e avanço para a pista de tartan. Entro e reparo que, ao contrário do ano passado, nesta edição a meta era do lado oposto, obrigando-me a dar uma volta completa. O António, que já tinha levado com uns quantos palavrões (coitado, o rapaz corre muito rápido e depois tem de me aturar no meu modo tartaruga…), ainda tentou puxar por mim, dizendo para dar tudo, mas eu já não dava muito mais. Lembro-me que no meio da birra com que estava lhe soltei um seco e esclarecedor “Xau, vai!

E eu também fui. A muito custo lá fui até à meta. Paro o relógio. Engano-me e volto a colocá-lo a andar. Só depois reparo que tinha de o parar novamente… Uma confusão! Conclusão: tempo final de 43:34. Bem longe do que o treinador tinha apontado para fazer ali.

Fiquei chateado. De birra comigo mesmo porque o tempo não foi nada do que queria, mas há dias assim. Na altura senti que falhei. Mas depois, conforme escrevi acima, pesei todas as variáveis e percebi que não foi nada disso. Porque, afinal de contas, não sou atleta. Sou uma pessoa normal, com uma vida normal, que vive isto da corrida como um hobbie e que quer, acima de tudo, divertir-se a fazer aquilo que gosta de fazer. E, como disse após Bilbau, a corrida não pode nunca deixar de ser uma forma de diversão. Quando o deixar de ser… i’m out! E agora venha Viana!

Considerações sobre a prova

Creio que deveria ser dada uma maior atenção a quem não vai competir para o Nacional de Estrada, tanto a nível da colocação das caixas de partida (se é para haver caixas, que se registe um tempo para não haver pessoas a ‘embaraçar’), como também no pós prova.

Muitos de nós participam nas provas muito por causa da medalha a que eventualmente teremos direito e até a ter um simples diploma de prova. Aqui, nem uma coisa… nem outra. Pagando uma inscrição ao preço de outras provas que têm medalha, acho que seria algo a claramente pensar por parte da organização.

De resto, tudo me pareceu bastante bem organizado e coordenado.

One thought on “Corrida com os Campeões: O cansaço paga-se… e de que maneira!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s