RnR Madrid Maratón #2: E cai mais um recorde

A segunda semana de olho em Madrid não começou da melhor forma… e eu já o esperava (mas decidi ignorar)! Depois de não ter tido grande descanso nos dias posteriores a Sevilha, o meu corpo começou a acusar o desgaste, o cansaço acumulado, o efeito de uma maratona feita bem perto do meu limite. Acusou de tal forma tudo isso que na terça-feira, ao primeiro treino da semana saí para a estrada com as pernas pesadas, com dores e com uma estranha sensação (nada normal em mim) de que o melhor era não treinar.

Não ouvi essa vozinha dentro de mim e fui. Fui e fiz o que estava no plano. 14 quilómetros a 5’30 e até me senti mais ou menos bem quando acabei. Mas algo não estava certo. Veio a quarta-feira e a sensação de cansaço acumulado continuava aqui. Como ia eu fazer o treino de quinta-feira, um treino de séries, quando sentia as pernas tudo menos prontas para levar com quatro séries de 2000 metros?

Não sei. Sinceramente, não sei. Mas fui, mesmo que o tempo não estivesse nada convidativo, mesmo que as pernas estivessem brutalmente pesadas e sobrecarregadas, mesmo que aquela voz me dissesse para não ir, mesmo que a minha habitual “pista” estivesse totalmente impraticável (costumo fazer séries na zona de Algés, junto à linha do comboio, que naqueles dias estava totalmente caótica por causa do mau tempo).

Tive de encontrar um plano B, que passou por fazer as séries na zona do MAAT. Tudo ótimo – percurso plano, “limpo” -, tirando o forte vento que soprava de Oeste. A ideia era fazer séries de ida e volta, mas assim que acabei a primeira percebi que era melhor não voltar para trás. Fiz a seguinte na direção ao Cais de Sodré. À terceira lá arrisquei voltar para trás até à Ponte Vasco da Gama e à quarta voltei a seguir em direção ao Cais. Séries feitas: Sensações? Alívio, cansaço, satisfação, superação.

Ali, naquelas quatro séries de 2000 metros (das quais não sei os parciais certos, porque o relógio se passou por completo) libertei as dores de pernas que sentia desde segunda-feira. Aquele esticar de ritmo, aquele impulso diferente acabou por ser a ‘cura’ para aquilo que me estava a atormentar. Veio então o fim de semana e aqui… mais dúvidas.

Porra, mas tu é só dúvidas?

Esta semana foi mesmo assim… Começou na segunda, acabou no sábado, até triunfar no domingo. Mas já lá vou. Obedecendo ao plano, sábado era dia de rodar 16 quilómetros a 5’40. Era… mas não foi. Acabei por fazê-los a 5’12, mesmo que tenha seguido um percurso com um sobe e desce bem complicado. E agora as dúvidas do fim de semana. E no domingo? Havia uma meia maratona para fazer, a minha oitava… E se tentasse atacar o meu recorde e, de uma vez por todas, cair das 1:40 horas?

Pensei que seria capaz, mas quis também olhar em diante. No próximo sábado tenho 30 quilómetros para fazer; dali a mês e meio terei mais uma maratona. Seria imprudente submeter o meu corpo ao stress de dar tudo numa meia maratona, ainda para mais tendo feito, nos 14 dias anteriores, 124 quilómetros – 42,2 deles numa só prova? Uma parte de mim dizia que não – vais rebentar, ouvia cá dentro. Outra dizia que sim.

Decidi que era melhor ouvir quem sabe. Falei com quem me orientou rumo a Sevilha. “Tens mês e meio até Madrid. É tempo suficiente para recuperar“. Estava dada a luz verde. Apesar de ser um momento importante, não me preparei para tal – pelo menos não como dantes. Fiz a minha alimentação mais normal possível, descansei o normal e fui para a prova bem relaxado.

E veio a meia-maratona!

O plano estava traçado: ir até aos 10k a 4’35 e, se me sentisse bem, fazer a segunda parte em 4’30 e ficar ali perto das 1:35.

(No meio de toda a desorganização – podem ler aqui) Começou! O meu receio inicial era aquele primeiro quilómetro, onde a confusão de ter milhares de pessoas poderia invariavelmente estragar o tempo final. Não foi o caso. Consegui passar incólume, mesmo que tenho sido obrigado a fazer slaloms dignos de um esquiador de topo mundial.

Acompanhado pelo António Pedro Miranda, que de forma incrível se disponibilizou naquela manhã para me ajudar, arranquei a todo o gás e, depois de descer até à marginal, chego ao sétimo quilómetro com um ritmo de 4’25. Era maravilhoso! O pior veio depois: o retorno e praticamente dez quilómetros a levar com vento de frente. Aqui não havia grande volta a dar: era tentar aproveitar o facto de ser baixo e procurar refugiar-me atrás de atletas mais altos ou seguir na linha do António. Assim tentei, mas o esforço (também o da véspera) estava a ser pago. Fui quebrando o ritmo.

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Por volta do quilómetro 18, já no retorno. (Foto: Hugo Costa)

Vi o ‘pace’ gradualmente a cair no relógio, enquanto o vento soprava, soprava, soprava. E depois de passar ao quilómetro 13 foi sempre, sempre a perder ritmo. Sempre acima dos 4’40 (menos no 19, que fiz 4’37), cada vez a sofrer mais. Ansiava pela chegada dos 17k, que marcavam o retorno e, finalmente, o fim do vento frontal, que nos metros que antecederam a viragem veio acompanhado de granizo.

Ó maravilha! Era o que mais faltava!

Quando fiz a viragem respirei fundo.

Uffa, agora já posso esticar a passada e levar uma mãozinha do vento, pensei eu.

Eu bem tentei, mas já não dava. O vento batia de costas (será que batia?), mas as pernas já não davam muito mais. Cada vez mais pesadas, mais duras, mais presas. O pulmão estava lá, perfeitinho; as pernas… nem por isso. Ao 19 ainda consegui o tal parcial a 4’37, mas foi sol de pouca dura. Faço o 20 a 4’52 e o 21 a 4’58. A morrer, por completo. Já não queria mais nada. Só queria a meta!

Porra, isto está a custar-me mais do que os quilómetros finais da maratona, pensei eu quando faltariam uns 500 metros e o António, lá na frente, tranquilo da vida, me dizia Bora lá, mais um esforço, está quase. Faltava o quase, não é?

Quilómetro 21, viragem para a meta. Olha o relógio e vejo o ‘pace’. Nem sabia bem o que achar. Ia bater o meu recorde à meia, mas 4 segundos por quilómetro acima do ‘pace’ ideal, 9 acima do ‘pace’ perfeito. Um último esforço até à meta (que fez diferença) e… está feito! Pára o relógio, vou ver o tempo: 1:38:54 (o tempo oficial do chip ficou 5 segundos mais lento). Recorde batido! Recorde batido por um minuto e 38 segundos e, finalmente, Sub-1:40 à meia-maratona.

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O filme da chegada, sempre com o António por perto

O segundo recorde batido no espaço de duas semanas. Um segundo recorde que foi batido depois de ter feito 125 quilómetros nas duas semanas anteriores (juntando esta meia acabei por correr 146 quilómetros em 14 dias…). Um segundo recorde que foi batido depois de na véspera ter corrido 16 quilómetros.

Coloquei todas estas variáveis na mesa e… se fiquei satisfeito? MUITO! Se com esta carga toda consegui este tempo, o que poderei conseguir com um treino específico de meia, com período de ‘tapering’ conveniente, e, por que não, condições climatérias favoráveis? A resposta ficará para depois, provavelmente para 2019, onde poderei dedicar-me um bocadinho às meias. Aí veremos. Mas por agora… é maratona! Ou maratonas!

SOU SUB-1:40 À MEIA MARATONA!

Balanço da semana:

6/03: 14,1k em 1:17:01 (5’28)
8/03
: 2,6k WU + 4*2000 + 2,5k CD*
10/03
: 16,1k em 1:23:50 (5’12)
11/03
: 21,2k em 1:38:53 (4’39 – Meia maratona de Lisboa)
*) – O relógio ficou algo atrofiado nos parciais, por isso não os partilho…

Quilómetros totais: 64,5
Tempo total: 5:19:19 (4’58)

Próxima semana:

13/03: 14k (5’40)
15/03: 10k progressivos (2k a 6’00; 5k a 5’15; 3k a 4’45)
17/03: 30k (5’40)
18/03: 12k (5’30)

Distância total: 66 quilómetros

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